O presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva assinou, no dia 29 de setembro, o decreto que estabelece o cronograma para a vigĂȘncia do Acordo OrtogrĂĄfico da LĂngua Portuguesa. O evento aconteceu no Rio de Janeiro, em cerimĂŽnia na Academia Brasileira de Letras, durante sessĂŁo solene de celebração dos cem anos de morte de Machado de Assis.
O acordo entrou em vigor em janeiro de 2009, mas as duas normas ortogrĂĄficas –a atual e a prevista no acordo– poderĂŁo ser usadas e aceitas como corretas nos exames escolares, vestibulares, concursos pĂșblicos e demais meios escritos atĂ© dezembro de 2012.
A reforma ortogrĂĄfica prevĂȘ mudanças na lĂngua portuguesa, como o fim do trema, a supressĂŁo de consoantes mudas, novas regras para o emprego do hĂfen, inclusĂŁo das letras w, k e y ao idioma, alĂ©m de novas regras de acentuação.
A medida, segundo o MEC (MinistĂ©rio da Educação), deve facilitar o processo de intercĂąmbio cultural e cientĂfico entre os paĂses e ampliar a divulgação do idioma e da literatura em lĂngua portuguesa.
Acordos frustrados
Esta nĂŁo Ă© a primeira vez que paĂses que integram a CPLP (Comunidade de PaĂses de LĂngua Portuguesa) tentam estabelecer normas comuns para a ortografia do idioma. A ideia sempre foi unificar o registro escrito nos oito paĂses que falam portuguĂȘs: Angola, Moçambique, Cabo Verde, GuinĂ©-Bissau, SĂŁo TomĂ© e PrĂncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal.
Segundo DomĂcio Proença Filho, membro da ABL (Academia Brasileira de Letras), a ortografia da lĂngua portuguesa tem sido preocupação de estudiosos desde o sĂ©culo 16, mas somente no sĂ©culo 20 Ă© objeto de regulamentação.
Em 1975, o acordo ortogrĂĄfico, elaborado pela Academia Brasileira de Letras e pela Academia das CiĂȘncias de Lisboa, nĂŁo foi aprovado por motivos de carĂĄter polĂtico. Uma nova tentativa aconteceria em 1986, estimulada pelo acadĂȘmico Antonio Houaiss. Pelas normas comuns definidas na Ă©poca, a unificação da grafia aconteceria em 99,5% do vocabulĂĄrio geral da lĂngua. A aprovação foi impedida por reaçÔes polĂȘmicas, segundo Proença Filho.
JĂĄ em 1990, mais um novo documento Ă© elaborado, com base nos acordos nĂŁo aprovados de 1975 e 1986. O texto final, destinado a unificar a grafia de 98% do vocabulĂĄrio geral do idioma, foi assinado em Lisboa por representantes das naçÔes de LĂngua Portuguesa. O documento foi aprovado pelos congressos de Portugal e Cabo Verde. Em 1995, foi aprovado por parlamentares brasileiros.
Em 1996, com a criação da CPLP, os paĂses assinaram um protocolo modificativo do acordo, em 1998, alterando a data de vigĂȘncia. Em 2004, foi assinado um novo protocolo modificativo para a adesĂŁo do Timor-Leste Ă s normas, jĂĄ que o paĂs conquistou sua independĂȘncia em 2002.
Fonte: Redação UOL Educação – SP