Em primeiro lugar, o tradutor precisa estar familiarizado com o assunto de que trata o texto.
Não adianta o tradutor encontrar uma tradução adequada para um determinado termo se ele não entende o significado do termo.
Um erro comum Ă© usar traduçÔes de dicionĂĄrios bilĂngĂŒes ou glossĂĄrios de terceiros sem procurar o sentido do termo em questĂŁo, nem compreender de que forma ele Ă© usado por profissionais da ĂĄrea. Estar familiarizado nĂŁo significa saber tudo sobre a ĂĄrea em questĂŁo.
O tradutor familiarizado saberĂĄ, por exemplo, onde encontrar as melhores soluçÔes para suas dĂșvidas de terminologia e dominarĂĄ as tĂ©cnicas de tradução especĂficas para os textos da ĂĄrea.
A leitura cuidadosa, do inĂcio ao fim, do texto original Ă© essencial para a compreensĂŁo do texto. Mesmo assim, hĂĄ tradutores que nĂŁo lĂȘem o texto antes da tradução e traduzem Ă medida em que lĂȘem.
Na verdade, a leitura prĂ©via deve acontecer bem antes da tradução, ainda na fase de elaboração do orçamento â sĂł assim o tradutor poderĂĄ determinar com maior precisĂŁo o tempo necessĂĄrio para traduzir e os problemas potenciais do original e da futura tradução e, com essas informaçÔes, oferecer ao cliente um preço adequado pelo serviço.
Ainda antes da tradução, Ă© essencial tambĂ©m fazer o glossĂĄrio dos termos novos encontrados no texto a traduzir e, Ă© claro, pesquisar esses termos nos dois idiomas â na lĂngua de partida e na lĂngua de chegada.
Não raro, parte dos termos técnicos somente ganharå uma tradução boa no decorrer da tradução, pois dependem da tradução de outros termos ou de uma certa dose de inspiração que só ocorre quando o tradutor estå profundamente mergulhado no estilo e vocabulårio do texto.
Um dos grandes problemas de manuais técnicos em geral é quando o autor do original não escreve bem.
Alguns tradutores não se dão conta disso, acham que o original faz perfeito sentido e produzem traduçÔes igualmente sem sentido.
Ă comum o autor de um manual em inglĂȘs nĂŁo ser nativo do inglĂȘs (pode ser um alemĂŁo, um sueco ou um mexicano, por exemplo), e Ă© bem possĂvel que o autor use o chamado âinglĂȘs internacionalâ, uma versĂŁo hĂbrida do idioma inglĂȘs, ocasionalmente com sintaxe e ortografia estranhas em relação Ă s normas cultas nacionais do inglĂȘs (americano, britĂąnico, canadense etc.).
Ă importante o tradutor saber reconhecer esse tipo de problema.
Em caso de dĂșvidas na compreensĂŁo do estilo ou de termos tĂ©cnicos, Ă© bom procurar o cliente. Ao contrĂĄrio do que muita gente pensa, um tradutor com dĂșvidas nĂŁo Ă© necessariamente um tradutor incompetente, mas sim um profissional preocupado em agregar valor ao seu prĂłprio serviço e em atender ao cliente da melhor maneira possĂvel.
Se o cliente for um cliente direto, possivelmente o contato serĂĄ rĂĄpido e enriquecedor para o tradutor e deixarĂĄ o cliente mais confiante na competĂȘncia do tradutor.
Se o cliente for uma agĂȘncia de tradução, muitas vezes o contato Ă© demorado e truncado, pois a agĂȘncia pode nĂŁo querer que o tradutor e o cliente final estejam em contato direto, ou o contato acaba tendo tantos intermediĂĄrios a ponto de ser impraticĂĄvel.
Na elaboração de glossĂĄrios com os termos desconhecidos, Ă© importante usar fontes seguras. E na maioria das vezes, os glossĂĄrios bilĂngĂŒes encontrados na internet nĂŁo sĂŁo fontes seguras.
Fontes seguras seriam, por exemplo, glossĂĄrios, lĂ©xicos e dicionĂĄrios âmonolĂngĂŒesâ criados por empresas atuantes na ĂĄrea de que trata o original.
Nada de glossĂĄrios bilĂngĂŒes elaborados por alunos de determinados cursos de tradução ou por determinados sites de agĂȘncias de tradução.
Comparando fontes monolĂngĂŒes no idioma de partida e no idioma de chegada, o tradutor chega com mais certeza Ă s traduçÔes de determinados termos.
Mas embora devam ser usados com cautela, os dicionĂĄrios bilĂngĂŒes ainda sĂŁo capazes de ajudar bastante o tradutor.
Em documentaçÔes técnicas de aparelhos, costuma haver partes que não precisam ser traduzidas.
Por exemplo, geralmente hå menção a dizeres de telas do software de comando dos aparelhos: ON, OFF, PUSH, SHUT-DOWN, ALARM.
Aqui é importante observar se o software de comando também foi ou estå sendo traduzido. Muitas vezes, o software não é traduzido, e por isso o tradutor deverå deixar no idioma original as instruçÔes de tela que aparecem no texto.
Mas haverå também ocasiÔes em que essas instruçÔes devem ser traduzidas. Novamente, o contato entre tradutor e cliente resolverå essa questão.
Por fim, uma nota sobre a questĂŁo do estilo.
O estilo tĂ©cnico de escrever pode parecer estranho para os amantes da âboa literaturaâ, mas ele faz perfeito sentido para os leitores dos textos tĂ©cnicos.
O texto tĂ©cnico Ă© por natureza âsecoâ, direto, voltado para informar e nĂŁo para provocar deleites literĂĄrios nos leitores. Por isso, Ă© importante o tradutor nĂŁo tentar embelezar a tradução, sob pena de tornĂĄ-la enfadonha e imprĂłpria.
Isso nĂŁo impede, porĂ©m, que o tradutor use e abuse de soluçÔes criativas para tornar o texto fluente â isto Ă©: fluente para os leitores de textos tĂ©cnicos, que sĂŁo pessoas em busca de informaçÔes especĂficas e objetivas.
Acima de tudo, o texto tĂ©cnico, assim como o literĂĄrio, o jornalĂstico e o jurĂdico, precisa ser idiomĂĄtico e respeitar as regras de gramĂĄtica e estilo do idioma de chegada.
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Fonte: www.fidusinterpres.com
